Relatório revela relatos impactantes de moradores sobre a violência policial em comunidades de Florianópolis. Saiba mais sobre o estudo realizado pela UFSC e Udesc.
Estudo da UFSC e Udesc sobre Violência Policial em Florianópolis
“Deixa sua mente com medo”, afirmou uma moradora.”O Estado só vem aqui para matar. Tenho medo de não estar em casa e eles virem, e de estar em casa e eles virem”. A fala é de um morador que participou de um estudo do Instituto Memória e Direitos Humanos da Universidade Federal de Santa Catarina (IMDH/UFSC) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).
Rodas de Conversa e Relatos
Foram ouvidas 115 pessoas em 13 rodas de conversa conduzidas entre 2021 e 2024 com comunidades da Grande Florianópolis, organizações da sociedade civil, membros da Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina e do Ministério Público de Santa Catarina. As conversas foram mediadas por professoras e estudantes da UFSC e da Udesc, que propuseram um ambiente de escuta para os moradores das comunidades.
Ausência de Dados Públicos
“Quando a gente pensa nesse cenário de pesquisa de violência policial em Santa Catarina, infelizmente, a gente ainda tem um campo um pouco vazio, que a gente [no IMDH] tem construído dia após dia”, explica Jo Klinkerfus, doutoranda em Antropologia pela UFSC e coautora do relatório.
A Institucionalização da Violência
“A institucionalização da violência perdura e impede que a problemática seja combatida com denúncias”, destaca o relatório, abordando a dificuldade da população em denunciar casos de violência policial.
Impacto na Comunidade
Além da violência física, o relatório também expõe o preconceito enfrentado pelas comunidades, destacando os desafios diários enfrentados pelos moradores por conta da presença policial e do estigma associado.
Futuro e Planejamento
Para 2026, o grupo planeja expandir a pesquisa para todo o estado de Santa Catarina e continuar o diálogo com autoridades policiais, enfatizando a importância do controle externo das atividades policiais e uma formação qualificada para os futuros policiais.
“Nesse sentido, é fundamental o controle externo das atividades policiais por parte do Ministério Público, em conformidade com o art. 129 da Constituição Federal, sem delegação desse controle à própria corporação policial. Também é essencial que a formação dos futuros policiais inclua debates e cursos qualificados sobre cidadania, racismo e proteção dos direitos humanos”, conclui o relatório.
Tags: ViolênciaPolicial, SegurançaPública
Fonte: noticias.ufsc.br
